Capítulo 3 - Aparências sempre enganam
seis de agosto de mil novecentos e oitenta e cinco, três dias haviam se passado
desde meu sonho e aquele estranho episódio no bar, devo ter esquecido naquela
época mas hoje lembro-me com certeza que tudo parecia estranhamente normal até
de mais, havia saído para trabalhar como de costume as nove da manhã, cheguei
no teatro municipal as dez horas havia pegado o mesmo ônibus de costume,
enquanto vinha seguindo pelo centro coloquei meus fones de ouvido e comecei a
ouvir musicas em um toca fica portátil, o ônibus como sempre mal cuidado
havendo um estranho cheiro de urina e drogas os passageiros sentado e em pé
nervosos com aquele lugar aquele ônibus mais se parecia com uma cela de prisão
superlotada.
Desci no meu ponto no outro lado da rua ficava o teatro a visão ali era magnífica
tirando o descaso das autoridades, onde podia se ver piches de gangues e
vagabundos, no centro da rua ficava um chafariz de arquitetura gótica do século
XVII ou XVIII.
No teatro tudo era magnífico mesmo agora ele sendo privatizado a companhia
reformou ele trazendo um tom sombrio e de outras eras, o palco mantido ainda do
carvalho puro, e o acústico do teatro era magnífico não havendo necessidades de
microfones. O camarote estava digno do século XVII parecia que havia sido
projetado para nobres e reis, movimentei-me até a sala dos empregados e comecei
afinar meu sax, preparando tudo para a apresentação da noite, devo ter passado
umas cinco ou seis horas revisando tudo quando voltei a mim eram 15:30
aproveitei um pequeno intervalo e fui até um bar de um amigo numa rua próxima
ao teatro.
Ruann era o nome de meu amigo e dono do pequeno bar sentei com ele e começamos
a conversar sendo que as conversas duravam quase uma ou duas horas e eu teria
que retornar ao teatro no máximo 17:30 tomar banho e preparar-me para o espetáculo
que estava agendando as 19:00.
Tive um sonho muito estranho desde aquele dia no bar perto de casa.
-O que aconteceu? Até parece que viu um fantasma com essa cara.
-Mais ou menos, tive a sensação de ter me visto no bar em frente a um espelho.
Sendo que tive um sonho em que estava pegando fogo, mas havia um certo teor de
ódio em mim.
- Você só deve estar cansado você mal sai daquela sua casa, aquilo ali está
tudo acabado, tem que respirar, você passa horas tocando, vive fumando, não
conhece ninguém parece que tá preso lá.
-Não estou preso só não vejo necessidade de encontrar com pessoas fúteis,
quando posso tirar melhor proveito do meu tempo estudando e compondo.
-Você parece um louco. Jhon precisa sair vai ficar louco lá
-Já sou quase louco. A propósito vai ao espetáculo essa noite?
-Dou uma passada por lá pra te sacanear
Terminei de beber uma cerveja e voltei ao teatro deviam ser 18:00.
Quando cheguei lá notei que meu sax estava em uma posição diferente, o estranho
é que os outros integrantes chegam as 18:20. Chamei mas não ouvia nada apenas o
eco de minha voz nenhum som qualquer de passos ou respiração então pouco importei-me
As 19:00 estávamos todos prontos em nossas posições, a iluminação dava um suave
teor de escuridão ao hall, O palco a e b uma iluminação mais clara a plateia
estava cheia mas todos haviam uma expressão vazia no rosto como se procurassem
por algo.
A duração do espetáculo era de três horas, mas antes desse tempo aconteceu
novamente enquanto tocava tive uma sensação de frio e as luzes se apagaram ou
pelo menos parecia, então novamente vi minha outra face.
Deixe-me em paz, suma daqui volte pro seu inferno e nesse frenesi atirei meu
sax na plateia não passou dois minutos para que eu pudesse desmaiar, mas lembro
de ouvir algo ecoando.
-Todo o destino está próximo e o nosso está conectado. Então tudo se apagou...
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